sexta-feira, 14 de setembro de 2007

PBR Brasil 2007 - Final - Guapiaçu

João Mauro Kugel é o campeão da PBR Brasil 2007

Depois de muito suor e muitas viagens pelas estradas do Brasil afora, finalmente a PBR Brasil chega a sua última etapa, onde conheceremos o grande campeão do ano de 2007, este que representará o país na grande final da PBR em Las Vegas.

O equilíbrio dominou todas as etapas anteriores e os 45 melhores peões do Brasil chegaram firme na cidade de Guapiaçu, local de disputa da grande final.

Cinco estados brasileiros sediaram as disputas da PBR Brasil. Das 20 etapas, 13 foram em São Paulo, 3 em Goiás, 2 em Minas Gerais, 1 no Mato Grosso e 1 no Mato Grosso do Sul. 275 competidores fizeram montarias para tudo ser decidido em Guapiaçu.

Foram 3 dias de competição. João Mauro Kugel e Élton José de Souza eram os favoritos ao título da PBR Brasil, a diferença era de apenas 129,74 pontos entre eles.

Na sexta-feira, Paulo Sérgio Marinho deu show e parou no touro Galático, de posse de Paulo Emílio. A nota 88,25 foi a maior da noite. O campeão de Barretos João Paulo Sales também conseguiu a parada. A vítima foi o touro Cassino e o peão de Araras conseguiu 86 pontos na primeira noite de Guapiaçu. João Mauro Kugel deu azar no sorteio, teve pela frente o temido touro Destroyer, de Paulo Emílio e ficou pelo caminho. Elton José de Souza conseguiu 86,25 pontos ao parar em Lobo, diminuindo a diferença na briga pelo título.

Os jovens peões fizeram bonito. Emerson Brito conseguiu uma boa nota ao ficar os oito segundos em cima de Tsunami, de propriedade de Neto Forte, conseguiu 83,75 pontos. Pedro Junior teve pela frente o touro Bandido, não aquele famoso, ator de novelas, e sim o animal de propriedade do tropeiro Guanabara. 85,50 pontos para o peão goiano e a primeira noite termina com Paulo Sérgio Marinho na liderança e com a disputa do título muito acirrada.

No sábado, o jovem Pedro Junior obteve uma excelente nota ao ficar no lombo do touro Quinto Andar, nota 89. João Paulo Sales foi outro que parou, conseguiu 80 pontos. Emerson Brito, correndo por fora obteve outra grande nota, 86,75 pontos em Clonado, animal de Paulo Emílio, se aproximando da disputa do título. João Mauro Kugel se recuperou da montaria do dia anterior e conseguiu a nota 86,25 em cima de Urso Branco. A decepção ficou por conta de Elton José de Souza. O peão de Pompéia não teve forças para segurar o animal Zapata e ficou zerado, deixando o caminho livre para João Mauro. Baixa apenas com Paulo Sérgio Marinho, o peão conseguiu parar em cima do Mico Preto, mas foi atingido com um golpe e saiu desacordado da arena. Apesar do susto, ele já está em casa com a família e passa bem.

Veio o tão esperado domingo, dia da final. Mas antes mais uma rodada com os 45 peões, antes do shot-go, com os 8 melhores peões do rodeio de Guapiaçu.

Destaque para o jovem Elton Pereira da Silva que por pouco não fez 90 pontos em cima do touro Xodózinho de Juliano Domingos. O peão de Populina teve nota 89,50. Pedro Junior parou em cima de CDF e com 84 pontos se garantiu no shot-go, como vice-líder da competição. Atrpas apenas do peão de Atibaia Edmundo Figueiredo. Emerson Brito teve pela frente mais um touro de Paulo Emílio e cravou 87,50 pontos. João Paulo Sales também fez seu papel, obtendo a mesma pontuação sobre o touro radical.

Na briga pelo título Elton José de Souza voltou a decepcionar, dessa vez o carrasco foi o touro Hylander, do tropeiro Paulo Emílio. O título estava decidido. João Mauro Kugel mesmo não pontuando no boi Urutu se sagrou ampeão da PBR Brasil 2007, carimbando uma vaga na grande final da PBR em Las Vegas.

A festa não parou por aí. Faltávamos conhecer o campeão da etapa de Guapiaçu, jovens peões estavam na disputa, um grande nome ia se consagrar no mundo dos rodeios.

João Paulo Sales foi o primeiro a entrar na arena. O campeão de Barretos parou em cima de Au Roque, conseguindo 87,50 pontos. Restava ao ararense torcer contra todos os outros peões para obter mais um título importante em um curto espaço de tempo. Leonil dos Santos e Nilton Batista de Souza ficaram pelo caminho. Elton Pereira da Silva parou sobre o touro Mike Tyson, mas mesmo assim não conseguiu alcançar João Paulo.

Restavam 4 peões. Douglas Ferreira dos Santos tinha pela frete o touro Galático de Paulo Emílio. 87,25 pontos para o peão de Cassilândia e a liderança provisória. Durou muito pouco, Emerson Brito, ficou oito segundos em cima de Mensageiro, do tropeiro Juliano Domingos e com 88 pontos assumiu a primeira posição. Bastava os dois próximos peões não pararem que ele seria o campeão. As chances eram enormes, dois dos melhores animais de Paulo Emílio foram os sorteados.

O primeiro duelo foi entre Pedro Junior, peão da cidade de Pires do Rio, no estado de Goiás, contra o até então imbatível no ano de 2007, Destroyer. Foi uma bela montaria, o jovem peão deu show e obteve a maior nota da final, 89,25 pontos.

O último peão a entrar na arena foi Edmundo Figueiredo. A situação era complicada. Ele precisava parar em cima do touro Dilúvio, conseqüentemente tiraria uma nota alta e se sagraria o grande campeão da etapa final de Guapiaçu.

Não deu para o peão de Atibaia, sendo assim, Pedro Aparecido da Silva Junior faturou a etapa de Guapiaçu, parando nos quatro touros que montou somando um total de 347,75 pontos. Em segundo ficou Emerson Brito, com apenas 1,75 pontos de diferença. Douglas Ferreira dos Santos completou o pódio.

A PBR Brasil chega ao seu final, não faltou emoção e a promessa é um ano de 2008 ainda mais emocionante e com novos talentos sendo revelados. A disputa promete. Para finalizar deixo meus parabéns ao peão João Mauro Kugel, o grande campeão da PBR Brasil em 2007.
Pedro Junior, campeão da etapa de Guapiaçu, parando no touro Destroyer


João Mauro Kugel, o grande campeão da PBR Brasil 2007

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Barretesão - 2007 - Rodeio em Touros

Um sonho real


Virou rotina. O último dia da Festa do Peão de Barretos sempre reserva as maiores emoções do evento. É o dia em que alguém irá se consagrar e uma história vai nascer para ser lembrada para o resto da vida. Todas as 40 mil pessoas que lotaram o Estádio de Barretos no Parque do Peão sabem do que estou falando. O dia 26 de agosto de 2007 será lembrado para sempre como um conto de fadas tendo como personagem principal o peão João Paulo Sales.

A história dele como todo começo, tem que ser sofrida. O jovem peão, de apenas 22 anos, já tinha disputado uma final de Barretos, foi no ano de 2006. O vice-campeonato no ano passado pode ser considerado uma vitória, mas conhecendo os esportistas em geral (incluindo os peões), sabemos que o segundo lugar é o primeiro dos derrotados.

João Paulo tem em seu currículo o título do Rodeio de Americana, um dos mais importantes de São Paulo. O atleta vinha competindo pela PBR Brasil e vinha obtendo bons resultados no ano, porém uma vitória em Barretos era inesperada.

Mas 2007 se mostrou um ano iluminado para nosso herói. Sabe quando tudo dá certo, não só no esporte, mas na vida amorosa inclusive. João Paulo, apesar da idade, é um homem casado e em setembro ganhará uma filha. Esse já seria o maior de seus presentes.

Mas Deus estava do lado desse peão de Araras, interior de São Paulo. Na disputa do qualify, João Paulo competiu com 70 peões na tentativa de obter uma das 15 vagas para o Rodeio Internacional de Barretos, sonho de qualquer atleta. Foi fácil! Com a segunda colocação, ele entrou na lista dos 52 peões que iriam para a disputa. Sendo 12 deles estrangeiros, de 8 países diferentes, o que mostra a importância do evento.

Nervosismo, concentração, coragem, é tudo que o peão sente antes de montar no animal. Mas João Paulo parecia estar fora desse mundo. A tranqüilidade pairava sobre o jovem que logo na primeira noite do evento já mostrou ao que veio. Montou no touro Atrevido e fez 92 pontos, a maior nota do Barretão e que mais tarde seria decisiva em sua conquista. Dois dias se passaram e mais dois animais foram domados, Alcapone por duas vezes e Cara Branca. João Paulo estava na final do Rodeio Internacional de Barretos.

A final sempre é disputada aos domingos. O último dia do evento reúne os 10 melhores competidores. Entre eles, estava o experiente Fabiano Vieira, o peão paranaense já havia se consagrado em Barretos com o título de 2004, sendo também vice-campeão no ano seguinte. Os outros 9 atletas buscavam o tão sonhado título inédito e a tão sonhada fama e consagração.

Na montaria de touros vence quem tem mais técnica, equilíbrio e estilo. O esporte é radical e isso faz a torcida vibrar. 70 kg dos competidores contra 900 kg dos touros. Os 10 peões enfrentam os 10 melhores touros do país, é um espetáculo de arrepiar. Os animais levaram a melhor sobre a maioria dos atletas, mas um deles estava destinado ao sucesso.

Elton José de Souza esteve muito perto da conquista. Com 88 pontos sobre o touro Delegado ele assumiu a liderança do Barretão e caso João Paulo não parasse em cima do animal, o peão de Pompéia conquistaria o tão sonhado caneco.

A batalha valeu a pena para o ararense João Paulo de Oliveira. Na final, fez o que precisava: agüentou por 8 segundos a fúria de Bordacius e quando a sirene tocou, ele garantiu o título de Barretos 2007 com apenas 22 anos. Foi o sexto peão seguido a vencer o Rodeio Internacional vindo do qualify. A conquista lhe garantiu um cheque no valor de 60 mil reais e a fama. Mas tenho certeza que tudo que o atleta queria no momento era correr para o abraço de sua esposa e acompanhar o nascimento de sua filha. Tudo deu certo para ele. Passada as emoções, acredito que João Paulo Sales será um nome forte internacionalmente e que brilhará nas arenas norte-americanas. É só continuar seguindo esse caminho da luz.



João Paulo Sales, o grande campeão do Rodeio Internacional de Barretos

PBR

Etapa de Chihuahua - MEX

A vitória foi brasileira na etapa de Chihuahua no México. Guilherme Marchi não deu chance nenhuma a seus adversários. com o resultado Sabonete sobe para a terceira colocação na classificação geral da PBR, se aproximando mais dos líderes.

A PBR vem ganhando muito espaço em outros países, no Brasil por exemplo temos etapas internacionais, onde o campeão brasileiro ganha vaga para a disputa da grande final em Las Vegas. Essa do México faz parte do calendário principal, onde competem os melhores peões. Quem sabe um dia teremos uma etapa da PBR em terras brasileiras.
Guilherme Marchi foi soberano, o peão de Leme passou pelos quatro touros que montou, somando um total de 345,50 pontos. O peão brasileiro só foi ameaçado por Dustin Hall que conseguiu se manter no lombo do touro no shot go. Em seguida, Marchi encarou o touro Gnash, o mesmo que já havia derrubado e causado a contusão no ombro esquerdo do atual líder da PBR, Justin McBride. O norte-americano irá fazer uma radiografia para saber a gravidade de sua lesão.
Sabonete foi impecável, se manteve os oito segundos em cima do bravo touro e com a nota de 87,25 venceu a etapa de Chihuahua, embolsando um cheque de 53 mil e 254 dólares. Dustin Hall foi o segundo, seguido por Harve Stewart. Renato Nunes obteve uma boa sexta colocação.
Como Justin McBride não obteve pontuação nenhuma nessa etapa, a diferença de pontos que o americano conquistou ao longo do campeonato diminuiu bastante. O rookie do ano de 2006 J. B. Mauney é quem mais tem condições de evitar o bi-campeonato de McBride. Guilherme Marchi que por duas vezes já foi vice-campeão mundial ainda tem uma boa diferença para descontar. Teremos mais seis etapas antes da grande final em Las Vegas. A próxima será em Reno nos dias 8 e 9 de setembro. Muita emoção ainda pode rolar!

Guilherme Marchi, o grande campeão da etapa de Chihuahua

O mais temido

Alto, robusto, forte, não estamos falando de nenhum ator global como Murilo Benício. Estes são atributos do touro mais famoso do Brasil que é sucesso e arrasa multidões por onde passa.Trata-se do touro Bandido. Ele tem a cara branca, o corpo marrom e os olhos negros, quando encara alguém ou algum outro animal ele costuma raspar sua pata no chão, nesse caso é melhor sair de perto dele, já que o touro pesa cerca de uma tonelada.
Esse touro tem uma história muito curiosa. Nasceu em uma fazendo no interior de Goiás, escapou por pouco do frigorífico, pois perceberam que não se tratava de um touro qualquer e sim de um touro pulador, próprio para rodeios. Bandido chegou às mãos de Paulo Emílio junto com outros nove touros, pelo valor de 100 mil reais. Passou a morar na fazenda Santa Martha, em Icém, interior paulista.

Paulo Emílio na telinha da Globo

Bandido desfruta de um tratamento digno de um rei. Tem manicures, personal trainner, nutricionista, veterinário, recebe alimentação especial e transporte exclusivo, além de sua piscina particular. Os outros touros podem até ficar com inveja, mas nenhum deles arrisca a cruzar o seu caminho. “Quando chegou aqui, foi colocado junto com outros sete touros. Venceu cada um deles em uma disputa de cabeçadas” diz Maycon Justino, peão e tratador dos animais da fazenda do Paulo Emílio em entrevista a revista VIP.

Touro Bandido se alimentando

O auge do sucesso foi quando Bandido ganhou os lares de todo o país e passou a ser estrela da novela “América” no ano de 2005. Uma novela que tratou do universo country. Ao tomar conhecimento do touro, a autora Glória Perez logo percebeu que ele seria muito útil em sua trama. Tanto na novela como na vida real, os peões tem medo de enfrenta-lo, já que ele costuma ser cruel com quem ouse desafia-lo.
Por ser tão mal e temido, os peões começaram a boicotar o touro e se recusavam a montar no lombo dele. Foi assim que Paulo Emílio teve a idéia então de lançar os desafios e premiar o peão que conseguisse ficar os oito segundos em cima do touro. A idéia deu muito certo e Bandido se tornou um astro maior, tem um momento só dele durante a festa, o momento mais esperado por todos é a hora que o Bandido ganha a arena com seu corajoso desafiador em cima dele. Normalmente esses momentos não duram nem quatro segundos, mas o público sempre sai satisfeito.
Muitos são os corajosos que ousam desafiar o touro, o destino colocou Bandido frente a frente com um dos peões mais técnicos do país, Neyliowan Tomazelli, da cidade de Poloni, interior de São Paulo, campeão do Rodeio Internacional de Barretos em 1999. “Ganhar Barretos foi uma sensação muito boa, era meu primeiro ano competindo e não acreditava que tinha vencido o rodeio” diz Neyliowan que afirmou que sua vida mudou radicalmente após a consagração no maior rodeio do Brasil. “Passei a ser reconhecido e a aparecer na mídia” conta o atleta.
No ano de 2001, o peão foi sorteado para enfrentar o boi no rodeio de Jaguariúna. Adriano Moraes já havia o alertado que Bandido é um boi duro e que tinha o derrubado com facilidade, mas Neyliowan acreditava no seu potencial, dizia: “Pode vir qualquer um, eu vou vencer esse touro”. Mas a história não foi bem a planejada por ele, sua mão escapou da corda e o atleta virou presa fácil do animal. Se não bastasse a queda, Bandido foi busca-lo no chão, e com os chifres o arremessou a uma altura de 6 metros. Felizmente o peão não morreu, mas sofreu graves conseqüências do acidente, teve a sétima vértebra quebrada, e a sexta vértebra amassada, Neyliowan ficou nove meses afastado das montarias. “Foi a partir daí que Bandido ganhou fama” conta o atleta.
Desde que foram criados os desafios, até o lançamento da novela, nenhum peão conseguiu ficar os oito segundos em cima do Bandido. Essa é uma tarefa praticamente impossível, se o boi não derruba o peão logo de cara, ele derruba na marra, dando um giro no ar de 180 graus e se atirando no chão.
No ano de 2003, Neyliowan Tomazelli, aquele mesmo que quase perdeu a vida dois anos antes, voltou a desafiar o boi. “O pessoal dizia que eu era louco, mas sempre acreditei que pudesse vencer o touro” conta Tomazelli.
Na época colocaram termômetro para fazer medição no coração, e ver se os batimentos cardíacos do peão disparavam no momento da prova. “Após cair pela primeira vez do touro, passei a ir visitá-lo às vezes em sua fazenda, conversava um pouco com ele, coçava a sua cabeça, ele deixava na boa” conta o peão que não guardava ódio do touro, só queria sentir o gosto de derrota-lo.
Porém, foram exatos 5,4 segundos que Ney durou em cima do touro Bandido, mas desta vez o boi o poupou de conseqüências mais graves, Bandido se jogou no chão com o peão ainda em cima de seu lombo, o derrubando na marra. “É um boi que alia seu enorme tamanho com seu instinto rápido”, são os elogios de quem foi vencido duas vezes pelo touro Bandido.

Bandido x Neyliowan Tomazelli

Em 2004, foi a vez então do peão consagrado mundialmente, e vencedor da PBR, Ednei Caminhas desafiar o boi. Não conseguiu ficar nem dois segundos em cima do touro.

Bandido x Ednei Caminhas

No ano de 2005, Bandido ganhou de vez a mídia ao ser uma das estrelas da novela América, com isso, a direção da Rede Globo proibiu que os desafios fossem feitos. Tudo para preservar o animal, já que se tratando de uma novela global, um montante de dinheiro é colocado na veiculação da imagem do boi. Ou seja, o touro não pode se machucar, mas mesmo só desfilando pela arena, ele já faz a alegria da galera.
Bandido foi a grande atração do rodeio da 50ª festa do Peão de Boiadeiro de Barretos. Na sexta-feira, 26 de agosto, desfilou pela arena do estádio sendo ovacionado pelo público. No sábado e domingo, 27 e 28 de agosto, ficou na feira comercial posando para fotos com seus fãs. A renda das fotos foi toda revertida para o Hospital do Câncer de Barretos.
O nome Bandido se tornou uma marca muito forte, nos rodeios nota-se diversas pessoas com camisetas, bonés e fivelas do touro, o bicho tem até um site próprio na internet (http://www.tourobandido.com.br/). Nos out-doors, e propagandas, o touro sempre é anunciado junto com outros nomes da música, é uma atração a mais e diferenciada, rodeio com o touro Bandido sempre vai vender mais ingressos do que um rodeio comum.
Apesar de toda fama, Bandido não é um touro invicto, um peão já teve a façanha de conseguir ficar oito segundos em seu lombo, porém Bandido ainda “engatinhava”, tinha apenas 3 anos, era novo demais para os rodeios. Bandido pode muito bem ser considerado um Pelé dos rodeios, dificilmente surgirá algum touro igual, tanto que já se fala até em clonar o animal que nasceu de um cruzamento das raças nelore com simental.

Personagens

Sua excelêmcia: o peão

O peão pode ser considerado o principal personagem de uma festa de rodeio. Para ele que se voltam os holofotes, é ele que está em busca dos prêmios, e é para ele que cabe a tarefa de encarar os mais ferozes animais e superar os seus próprios limites. A rotina de um peão de boiadeiro é intensa, seus dias de ficar com a família é segunda, terça e quarta, mas mesmo assim o atleta aproveita esse tempo de folga para treinar e manter sua preparação física, sempre buscando aprimorar sua resistência física. Já nos dias de rodeio, quinta a domingo, o atleta passa boa parte do tempo competindo e viajando pelas estradas.

O peão de boiadeiro vai ao rodeio em busca da consagração, e, para isso, precisa seguir algumas regras e usar uma vestimenta adequada para o evento. Caso contrário, pode ficar o tempo que quiser em cima do touro, que será desclassificado. É exigido dos competidores o uso de chapéu ou capacete, calça de couro abotoada, bota ou botina, camisa de manga comprida com o punho da mão livre abotoado, cinto, fivela e espora, sendo que esta não pode ter pontas, já que o objetivo da prova não é machucar o animal e sim fazer apenas cócegas na tentativa de melhorar seu desempenho. O colete de proteção é obrigatório na montaria em touros e opcional para as demais modalidades. Ele serve para absorver o impacto da pancada do touro, distribuindo o impacto para o resto do corpo.


Coadjuvantes Indispensáveis


O sistema de avaliação nas provas de montaria consiste em dar uma nota de zero a cem. São dois juízes que avaliam o desempenho do competidor e do animal. Cada um fica de um lado da arena para poder avaliar melhor o desempenho dos atletas e do animal. Cada juiz tem o direito a dar no máximo 50 pontos, sendo que esses são divididos, 50% da nota se da para o desempenho do peão, e os outros 50% para o desempenho do animal. A nota final é a soma da avaliação dos dois juízes.

Para avaliar bem, um juiz precisa ter precisão e rapidez. Afinal, oito segundos é o tempo que ele dispõe para julgar a prova. O ideal é que seja íntegro, imparcial, e tenha o conhecimento das regras. Tião Procópio é um dos principais juizes do Brasil. Para ele, é fundamental para o juiz já ter montado antes, ter tido uma experiência prática. “Com minha experiência como peão, sei quando o touro está dando pulos difíceis”, conta o juiz, que ainda fez cursos nos Estados Unidos para poder analisar o grau de dificuldade do animal e a técnica do animal com total eficiência.

Tião foi o primeiro peão brasileiro a fazer sucesso no exterior. É considerado principal responsável pelo desenvolvimento do rodeio em touros no Brasil. Ele empresta seu nome para o personagem principal da novela América de Glória Perez. “Ele foi inspirado na minha história, começou desde pequeno montando em bezerros, ganhou os principais rodeios do país, inclusive Barretos e tem uma sólida carreira internacional”. Tião conheceu Glória Perez no ano de 2003 e por diversas vezes se reuniu com a autora para contar um pouco das suas histórias. Para Tião, a trama não retrata fielmente a rotina e a vida dos personagens do campo. “A novela deixa muita a desejar, muitos estão insatisfeitos, ela retrata o que passa na cabeça dela”. Porém não se sente chateado, pois se trata de uma ficção e a autora tem todo o direito de escrever o que quer.
Nas provas de velocidade, o juiz apenas verifica as possíveis irregularidades, o cronômetro é quem define os vencedores.
O juíz de rodeio Tião Procópio
Além do juiz e do peão, a festa contém outros personagens, sem eles não seria possível a realização de um rodeio.

O palhaço salva-vidas é o que faz o trabalho mais arriscado entre os profissionais de um rodeio. Tanto que também são chamados de anjos da arena. Sua tarefa nada mais é do que salvar o peão de ser pisoteado pelo touro.

O palhaço precisa ter muitas habilidades, como ginga, criatividade, reflexo, pensamento rápido e principalmente coragem para enfrentar os bravos touros com cerca de mil quilos de músculos com o pensamento de destruir quem ousar cruzar o caminho deles.

Para chamar a atenção dos animais, os palhaços usam roupas coloridas e caras pintadas. Muitos deles gostam de trabalhar em dupla, como é o caso de Dinho & Dici. Os irmãos ganham a vida com esse trabalho e se sentem muito realizados com isso. “Vivemos desta profissão e temos muito orgulho dela, pois não teria jeito mais honesto e prazeroso de ganhar o dinheiro para o nosso sustento do que ajudando as pessoas. Agradecemos a Deus por tudo”.

Dinho & Dici acreditam muito em Deus, visto que a profissão já os fizeram sofrer graves contusões. Dinho já sofreu um corte na cabeça, onde teve que tomar 20 pontos, além de pisão nas costas, distensão na coxa e corte no tendão da perna. Em um dos inúmeros pisões tomados, Dici foi parar no hospital com sangramento interno, onde era comum urinar sangue puro, e também já tomou chifrada no rosto, além de inúmeras distensões e pancadas.

“Graças a Deus da tudo certo. Deus sempre manda os anjos para por a mão entre nós e os touros, é que às vezes temos que saber do que o touro é capaz para que jamais deixamos de respeitá-los” diz. Apesar de tantas contusões, Dinho & Dici não sentem raiva dos animais, ao contrário, os adoram “Amamos os touros, pois é por meio deles que podemos ganhar a nossa vida. Jamais iríamos fazer qualquer coisa para machucá-los”. Os palhaços são conscientes que esses animais que amam a qualquer momento podem tirar-lhes a vida.
Além de trabalharem em diversos estados do país, Dinho & Dici fizeram também carreira internacional, sendo os primeiros palhaços salva-vidas a trabalharem nos Estados Unidos e inclusive são credenciados da PRCA (Professional Rodeo Cowboy Association) a maior e mais antiga associação do mundo. Começaram a carreira no ano de 1995, e com tanto tempo de experiência, acham normal o fato de ficar frente a frente com o animal. Apesar de existir uma certa adrenalina, sempre entram na arena preparados fisicamente e psicologicamente para isso.
Eles nos disseram que o momento mais difícil que existe para um palhaço é quando o peão fica com mão presa na corda americana. Nesse caso, têm que empaletar (abraçar) o touro para desamarrar a mão do atleta. “É um momento que o salva-vidas tem que ser muito frio, calculista e ter muita coragem, sabendo a hora certa de empaletar o touro, se não ele se machuca e não ajuda o cowboy”.

Além de Dinho e Dici, outros palhaços também se destacam no mundo dos rodeios, Django e Meio Quilo foram os pioneiros dessa profissão no Brasil. Outros nomes também merecem destaque como Ronan Felipe, Pirilampo e Topa Tudo.
Dinho & Dici em ação

Uma função indispensável no mundo dos rodeios é a do madrinheiro. Montado a cavalo, é ele quem retira o cowboy do dorso dos animais após a prova, colocando-os com segurança no chão da arena, além de levar o touro de volta para o curral. Já a função do sedenheiro é puxar o sedém (tira de couro) antes de cada prova. É um trabalho que exige experiência e conhecimento do comportamento de cada animal.

O sonoplasta, uma espécie de DJ do rodeio, precisa animar o povo. Ele tem que soltar a música correta na hora certa, de acordo com o andamento do rodeio, e precisa ter grande afinidade com o locutor. “Meu trabalho nada mais é que intercalar música com a voz do locutor, um suporte pra ele”, conta Paulo Leandro Soldera, conhecido como Lessauro. O sonoplasta já participou de mais de 50 rodeios, tendo trabalhado com 35 locutores diferentes.

Atualmente, Lessauro faz parte da equipe do locutor Almir Cambra, considerado o locutor mais técnico da atualidade. Ele diz que é muito fácil animar a galera com músicas como “Erguei as Mãos”, do Padre Marcelo e “Festa no Apê”, do Latino, mas prefere tocar músicas clássicas de qualidade. “É mais gratificante você fazer alguém cantar uma música do Creedence, por exemplo”. Para ele, o segredo é saber usar as músicas no momento certo. “Rodeio em touro toco rock ou pop, e dance, por ser radical. Já no rodeio em cavalo procuro não fugir das raízes e toco sertanejo por ser uma modalidade brasileira”.

O locutor é responsável por transmitir o rodeio para o público. No entanto, diferentemente de uma partida de futebol, além de narrar as provas é preciso interagir com o público, não deixando a festa esfriar, precisa também saber as regras de montarias para fazer seus comentários técnicos, já que muitos dos que prestigiam o evento não têm um bom conhecimento das provas.
Existem muitos locutores que fazem enorme sucesso, chegando até a ficar mais famosos que os peões, casos de Marco Brasil e Gleydson Rodrigues. Além é claro, de Almir Cambra, considerado o mais técnico do rodeio na atualidade, tal rótulo se da justamente pelo fato dele conhecer todas as regras do esporte. Almir, que já narrou Barretos dez vezes, nasceu e foi criado na roça. Desde pequeno, gostava do esporte e vivia imitando o Zé do Prato, locutor mais famoso na época em que ele era criança, e que imortalizou a célebre frase “Segura Peão”.

Ao ingressar em uma faculdade em Jaboticabal, Almir começou a narrar rodeios universitários e, aos poucos, foi construindo sua sólida carreira. “O locutor tem de sempre estar feliz. Todos os dias você tem que sorrir e emocionar, mesmo que não esteja a fim, já que o povo está lá para se divertir”, conta o narrador oficial de Barretos.

Almir também revelou que um dos momentos mais engraçados que narrou foi quando um americano desafiou o Brasil, dizendo no microfone que por aqui não tinha touro que o derrubasse. Ao ver o peão cair, Almir inflamou o público ao dizer, “aqui não gringão, aqui é o Brasilzão”. A arquibanda veio abaixo de tanto delírio. Todo locutor que se preze, precisa ter também um bom arsenal de versinhos e piadas. Muitos desses profissionais gostam de narrar o rodeio dentro da arena, passando mais emoção para o público.
Almir Cambra narrando o rodeio de Barretos

O comentarista é quem transmite as informações esclarecedoras sobre cada apresentação e também passa uma noção técnica para o público poder entender o que se passa na arena.
O tropeiro é quem compra, cria e fornece os animais para o rodeio. É preciso competência por parte deles para saber se o animal pode participar de um rodeio. “De cem touros que monto, só quatro servem para competir”, diz o tropeiro Flávio Junqueira. Alguns tropeiros, entre eles Junqueira, além de comprar animais puladores gostam de produzir seus próprios animais, fazendo isso por meio do cruzamento de touros puladores aposentados com vacas normais.
Atualmente o homem que mais investe em touros no Brasil se chama Paulo Emílio e possui uma companhia de rodeios com o seu próprio nome. Paulo Emílio tem cerca de 200 touros em sua fazenda, muitos estão entre os melhores do Brasil.

O berranteiro tem a função de tocar o berrante, que é o símbolo de toque da boiada. Por fim, há os médicos e veterinários que cuidam da saúde do animal.

Existem também as apresentações que fazem a alegria do público, como caminhonete e motos levantando poeira na arena e claro a rainha do rodeio que empresta todo seu brilho e seu charme para embelezar o evento, ajudar na divulgação e deixar os marmanjos babando.
Para a criançada que está começando no meio, os organizadores das festas promovem a montaria em carneiros e abre espaço para narradores mirins poderem mostrar seu talento.

Heróis não valorizados

O rodeio aqui no Brasil ainda está longe de ser uma unanimidade, nos Estados Unidos já é uma tradição muito antiga e lá os peões são famosos e bem mais valorizados que aqui. “Lá o peão é tratado como jogador de futebol aqui no Brasil” diz Edgard Lazaro de Oliveira em entrevista a Eugênio José de Lima, peão que compete no rodeio universitário e dono de um blog na internet, onde conta bastidores do mundo dos peões. Edgard é um dos atletas brasileiros que são super valorizados nos Estados Unidos e um mero desconhecido aqui no país.
Outro peão com fama e status lá fora é Guilherme Marchi, da cidade de Leme, interior de São Paulo. Guilherme diz que nos Estados Unidos os organizadores não visam o lucro do evento e sim melhorar a associação onde eles fazem de tudo para o peão. “Lá nós somos profissionais e nosso trabalho é reconhecido”.

Desconhecido no Brasil, Guilherme Marchi faz sucesso nos EUA

Paulo Roberto Franzin, conterrâneo de Marchi, acompanhou as competições de Barretos na arquibancada, “nem sabia de quem se tratava”, diz Paulo, que só foi conhecer o peão no dia da final do rodeio em touros. “No meu ponto de vista, poderia ter muito mais destaques para esses atletas que se destacam no exterior e aqui são desprezados” diz.
Guilherme Marchi nos fez uma boa discrição de como se sente ao viver em função do rodeio. “Viajo praticamente toda semana, e é gostoso que da para conhecer diversas pessoas e lugares”. Guilherme não esconde que o rodeio é uma profissão de risco, ele está fazendo seu pé de meia nos Estados Unidos, onde a premiação é muito superior ao do Brasil e pretende se aposentar o mais rápido possível. “Priorizo sim os rodeios aqui nos Estados Unidos, tenho que fazer minha vida aqui, pretendo me aposentar rápido e minha esposa gosta muito daqui”.
Nos ano de 2005 e 2006 conquistou excelentes resultados em terras norte-americanas, por suas vezes se sagrou vice-campeão da principal competição de rodeio em touros do mundo, a PBR.
O rodeio organizado pela PBR, Professional Bull Ridding, é considerado o maior do mundo. Com etapas disputadas nos Estados Unidos, a PBR é o principal titulo que um profissional em montaria pode conseguir na carreira. Dois brasileiros já obtiveram a incrível façanha de ser campeão do mundo.
Adriano Moraes conseguiu essa proeza por três vezes, faturou o título da PBR em 1994, 2001 e 2007. Adriano pode muito bem ser considerado o melhor peão que já existiu no Brasil. Por ser um esporte pouco difundido no país, ele faz mais sucesso nos Estados Unidos, onde até virou tema de um documentário de 10 capítulos no canal Discovery. O documentário ainda está em fase de produção, mas com certeza irá projetar ainda mais o nosso tri-campeão.
No Brasil, ele ainda é pouco conhecido, em um levantamento feito com alguns colegas de faculdade na FIAM, constatamos que ninguém nem sabe quem é Adriano Moraes, dos 50 alunos que perguntamos, apenas um o conhecia, o estudante de jornalismo Francisco Luciélio Guimarães, mas não pelo fato de montar e sim por seu trabalho religioso na Canção Nova, uma comunidade católica com objetivo de evangelização através dos meios de comunicação. Porém para qualquer pessoa que pretende saber o que é rodeio, é necessário conhecer um pouco da vida do nosso campeão.
Nascido em Quintana, interior de São Paulo, tinha uma família humilde e algumas vezes passou necessidades na infância. Graças ao rodeio conseguiu construir uma carreira sólida, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, onde é um dos peões mais valorizados, há mais de dez anos compete no exterior e sempre esteve entre os melhores. Sua esposa Flávia ele conheceu em novembro de 1989 quando foi montar na cidade de Matão, desse casamento rendeu os seus três filhos.
Com a boa premiação das competições, Adriano conseguiu ajudar seus familiares, fazer uma bela carreira profissional e o mais importante construir uma família. Adriano não agradece só ao rodeio, mas a Deus também que ele credita todo o seu sucesso e quando não está montando procura sempre participar de atividades religiosas.

O tri-campeão do mundo Adriano Moraes

Ednei Caminhas é o outro peão brasileiro que já obteve o título da PBR, foi no ano de 2002. Nascido na cidade de Indaiatuba, interior de São Paulo, Ednei começou a competir com 17 anos.
Com os bons resultados foi tentar a sorte em território norte-americano no ano 2000 e logo de cara já ganhou fama ao permanecer durante oito segundos sobre o temido touro Dillinger, até então imbatível. Participou também de um desafio com o touro Bandido, o mais agressivo do Brasil, no ano de 2004, mas se tornou uma das mais de 200 vítimas do feroz animal.
Em entrevista a Tv Rodeio, Ednei conta que os bois brasileiros são os que causam maior dificuldade aos peões. “Os animais brasileiros pulam com a traseira e são mais ligeiros. Já os americanos são um pouco mais fortes e pulam para frente, o que favorece os competidores”, destacou Caminhas para o site da Tv Rodeio.
O rodeio atualmente é considerado um esporte, e os peões são considerados atletas profissionais. Seguindo os passos da PBR, os peões brasileiros também criaram a sua própria associação, no ano de 2003 foi fundada a PRT, uma associação brasileira dos profissionais em touros.
A PRT foi feita justamente para profissionalizar o esporte e melhorar as condições de segurança e premiação do atleta. Sua criação foi orientada pela PBR através do Adriano Moraes. “Para o futuro espera-se que a PRT e a PBR seja uma única só associação” diz o presidente executivo da PRT Flávio Junqueira.
Só no ano de 2005, 17 etapas foram realizadas, a premiação beirou os 200 mil reais e a tendência é a PRT ir ganhando força a cada ano que passa.
Os competidores mesmo que decidiram entre eles quem exerceria as funções políticas da PRT, o presidente eleito foi André Metzer. Na época ele disputava provas nos Estados Unidos, mas aceitou fazer parte dessa associação, mesmo tendo que comprar briga com empresários que controlavam o meio.
Com a criação da PRT, o rodeio passou a ter muitas melhoras. As etapas contam com os 45 peões bem mais colocados no ranking, mas existe também uma divisão de acesso, para os peões que buscam estar entre os 45 melhores.
André Metzer nos contou, dias após a festa de Barretos de 2005, que a premiação melhorou significativamente, as inscrições deixaram de ser cobradas, os atletas adquiriram o direito de levar convidados para assistir as provas e em cada etapa uma equipe médica especializada acompanha os competidores que em caso de contusão recebem assistência da melhor qualidade.

Panorama de um rodeio


O que é rodeio


Segundo o dicionário Michaelis, a palavra rodeio é definida como uma competição esportiva que consiste em o cavaleiro montar um cavalo ou um boi, não domesticados, e manter-se sobre ele o máximo de tempo.
No entanto, a leitura do verbete é insuficiente para descrevê-lo, afinal se trata de uma descrição teórica. Na prática, se perguntarmos o sentido do rodeio para uma pessoa envolvida no meio ou que o prestigia, a resposta pode surpreender: significa uma vida. E, como toda vida, existem momentos de emoção, alegria, glória, adrenalina, medo, ansiedade, perigo, tensão, dinheiro, música, religião e festa.
Não se pode esquecer que o rodeio é um esporte, existe uma competição envolvida, e é claro que nesse momento, um vai querer ser melhor que o outro. Por ser um esporte individual, poucos terão seus momentos de consagração, a grande maioria volta para casa sabendo que poderia ter feito melhor. Porém essa rivalidade só existe por oito segundos, tempo em que um profissional de montarias tem para dar seu espetáculo, fazer sua apresentação. Fora esses oito segundos, o peão vive o resto do seu tempo cercado por pessoas do bem, e mesmo se tratando de um esporte radical, existe todo um clima festivo em volta dessas provas. E como tudo que uma platéia gosta é de se divertir, de rir, de se emocionar, o rodeio se tornou sinônimo de sucesso, e a cada ano que passa, mais pessoas prestigiam o evento, movimentando mais dinheiro e gerando mais empregos.
No rodeio se encontra de tudo um pouco: comida, bebida, brincadeiras, música, muita animação e gente bonita. Mas o principal mesmo, o que mais chama a atenção, é seu lado esportivo, suas competições. Elas acontecem no “coração” de todo rodeio, é dentro da arena (pista de areia fofa) que tudo esquenta, as emoções ficam a flor da pele, lá que ficam os animais esperando para darem seu show, mostrarem sua força, os competidores que buscam seu ganha-pão e sua consagração, além do público, que sempre comparece em massa e se eletriza com cada disputa. Com tanta emoção e adrenalina, uma festa de rodeio costuma parar a cidade onde é realizada, dando assim, uma boa injeção econômica para elas.
Pegando carona na cultura americana, as competições acabam se tornando um show. Existe todo um preparativo antes de começar a festa, como desfile de animais e apresentação dos patrocinadores. Depois vem um momento de patriotismo com a execução do hino nacional. Logo após, todos os personagens da festa são apresentados, por fim, um momento de devoção e fé, onde peões e salva-vidas de mãos dadas rezam ao som de “Ave-maria”.
Na 50ª festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, em 2005, coube a cantora Iza Mariana a tarefa de cantar a música. “É uma honra estar em Barretos na festa dos 50 anos, porque é um evento que promove o rodeio, um esporte de paixão nacional”, ressaltou a cantora em entrevista ao site dos Independentes, clube que organiza o rodeio de Barretos. Com o início da canção, a imagem de Nossa Senhora da Aparecida entra na arena, emocionando todo o público e o peão aproveita para fazer a sua oração e pedir que nada de mal aconteça nas competições. Nos principais rodeios do Brasil, a imagem da santa é carregada por Pedro Andarilho.
Passado o momento de religiosidade, o locutor começa a agitar a galera contando piadas e fazendo brincadeiras com a platéia, são os últimos preparativos antes do início das provas.



Rodeio tem tudo a ver com nacionalismo



História do Rodeio


No século XIX, após os Estados Unidos vencerem a guerra contra o México, os colonos norte-americanos adotaram os costumes de origem espanhola. O país derrotado, que foi colonizado por espanhóis, tinha influência cultural daquela nação. As touradas são uma das principais características da Espanha. Essa tradição foi introduzida e transformada no México e os Estados Unidos recriaram estas culturas.
Em 1869 aconteceu a primeira prova de montaria na cidade de Colorado. Era uma grande diversão para os vaqueiros. Nas competições eles podiam testar suas habilidades em cima do animal. No início do século XX, o rodeio já era visto como um entretenimento público. Existiam vários eventos no oeste dos Estados Unidos, e as convenções pecuárias eram celebradas.
Durante as primeiras décadas daquele século, lá por volta de 1920, o rodeio já era reconhecido como um esporte competitivo. Havia competições em Boston e na cidade de Nova York que atraiam a atenção em âmbito nacional para este novo esporte. Através da competência e dedicação dos organizadores, o rodeio saltou de esporte para entretenimento público. Esta atividade se tornou na metade do século um grande evento americano.
Até o rodeio chegar ao Brasil, o caminho foi bastante diferente. No início do século XX, já existia a atividade pecuária no interior brasileiro. Os peões que trabalhavam nas fazendas se divertiam ao tentar mostrar suas habilidades em cima dos gados. A cidade de Barretos, que tinha como principal atividade econômica a pecuária, realizou o primeiro rodeio do país em um sábado de 1947. A intenção da prefeitura municipal foi entreter os fazendeiros e os peões locais. É interessante ressaltar que naquela época, início do século passado, os meios de comunicação eram pouco desenvolvidos.
Em 1940 existiam alguns jornais impressos, algumas revistas, e o rádio começava a surgir. Porém os veículos de comunicação daquela época estavam preocupados em integrar o país em escala nacional. O mundo ainda não era globalizado e não se tinha muita informação sobre os outros paises, muito menos sobre sua cultura. Havia bibliotecas também, mas o que pode ter gerado a idéia do rodeio no Brasil foi o cinema. Os filmes norte-americanos rodavam no Brasil desde 1920 e podem ter sido responsáveis pela introdução do rodeio no país.



Provas e Regras


A principal prova de um rodeio, é a montaria em touros. Ela é a que oferece mais perigo aos atletas e conseqüentemente a que atrai mais público. É o duelo entre a coragem, determinação e técnica dos peões, contra a força, a explosão, os músculos e toda a brutalidade do touro.
Momentos antes da prova, o touro fica preso em um cubículo muito pequeno com grades de ferro, chamado de brete. Lá o peão já monta diretamente no lombo do animal, segurando as mãos em apenas uma corda amarrada na parte dianteira do touro. A outra mão fica livre no ar, não podendo ser encostada no animal, nem em qualquer parte do corpo.
Ao abrir a porteira o animal ganha a arena e seu objetivo é se livrar da pessoa que está em cima dele o mais rápido possível, o peão tem toda uma técnica para se manter em cima do boi, que precisa se esforçar para tomba-lo. Ao tentar derrubar o peão um bom touro tem que rodar bastante, inverter seu eixo de rotação (quebrar a paleta) e pular muito sem parar. Um touro em média da 14 pulos durante os oitos segundos. Ao cair no chão, a alternativa que resta ao atleta é tentar se levantar o mais rápido possível e fugir do animal enfurecido.
Apesar dos riscos, a nota final do competidor depende diretamente do touro, não adianta pegar um touro bonzinho, que não pula muito, nesse caso, a nota do peão vai lá para baixo. Vale lembrar que o competidor só recebe pontuação ao ficar os oito segundos em cima do lombo do animal, caso contrário sua nota é zero, o que prejudica muito no seu resultado final. Nessa prova, não é necessário esporear o touro, mas é sempre bom o peão fazer isso, para mostrar aos juízes que ele está tendo total controle sobre o animal.
Mas quem pensa que as provas de rodeio são apenas as montarias em touros está profundamente enganado. Outras oito provas oficiais completam o rodeio. Existem as montarias em cavalos, elas têm um nível de dificuldade menor que nos touros, por ser tratar de um animal mais leve e menos agressivo. São três as modalidades:

Bareback: Prova que teve origem nos Estados Unidos. Nela, o peão tem que ficar oito segundos em cima do cavalo. Essa prova se caracteriza pelo fato do competidor não ter apoio nos pés, já que os estribos não são permitidos, ele tem que ficar agarrado a uma alça de couro posicionada junto à crina do animal. No primeiro pulo o atleta deve posicionar as esporas no pescoço do animal, depois ele puxa as esporas fazendo as pernas alcançaram a alça do “bareback”. O peão fica em uma posição praticamente horizontal. É uma prova que exige força na mão, agilidade no movimento de pernas e muito equilíbrio para esporear o animal de acordo com o sincronismo exigido.
Cutiano: Prova com estilo tipicamente brasileiro de realizar a montaria. O objetivo da prova é ficar oito segundos em cima do cavalo, porém o peão não tem apoio para as mãos no arreio, ele se segura por meio de duas cordas presas na peiteira do animal. O peão deve esporear o animal na região entre a paleta e o pescoço do bicho. Essa prova só é realizada nos rodeios brasileiros e exige muito equilíbrio dos competidores que devem evitar esticar as pernas, pois perderá pontos.


Sela Americana (Saddle Bronc): O peão deve se manter em cima do cavalo no mínimo oito segundos para obter sua nota. Nessa prova o cavalo é arriado com sela. Com uma das mãos o peão segura uma corda de sisal presa ao cabresto, e a outra mão deve ficar livre. No primeiro pulo, o peão posiciona sua espora entre a paleta e o pescoço do cavalo, No segundo pulo puxam-se às esporas da barriga do animal para a parte de trás da sela. É uma das provas mais tradicionais do rodeio, foi criada no ano de 1929 nos EUA.
Além das provas de montaria, existem também as provas cronometradas que exigem do peão velocidade e técnica.
Laço em Dupla (Team Roping): Nesta prova dois competidores devem laçar um bezerro. O laçador cabeceiro tem a tarefa de laçar o pescoço ou o chifre do animal, depois, o laçador peseiro fica com o trabalho de laçar as patas traseiras do animal. O tempo é cronometrado a partir do momento com os peões deixam o box e termina quando um se posiciona na frente do outro com as cordas esticadas. Vence a dupla que realizar a tarefa em menos tempo. A dupla que ultrapassar o tempo limite de dois minutos é desclassificada.

Laço de Bezerro (Calf Roping): Na prova o objetivo do peão é laçar o bezerro em movimento pelo pescoço, depois ele pula do cavalo para amarrar três das quatro patas do animal para que ele fique imobilizado. O tempo é cronometrado assim que o peão deixa o box logo após o bezerro, e termina quando o laçador monta sobre o animal imóvel e levanta as mãos. Ganha o peão que realizar a tarefa no menor tempo e o laçador é desclassificado quando o animal se solta em menos de cinco segundos.

Bulldogging: Nesta prova participam dois peões e um bezerro. Os competidores deixam seu box logo após a partida do bezerro. O peão que fica a direita tem o trabalho de manter o bezerro em uma linha reta, evitando que o animal fuja para o lado, já o outro peão tem um serviço mais complicado, ele salta do cavalo em movimento, agarra a cabeça do bezerro, derrubando-o e virando seu pescoço no chão, dando uma espécie de mata-leão para imobiliza-lo. Sagra-se vencedora a dupla que realizar a tarefa no menor tempo. Caso o tempo limite de 60 segundos seja esgotado, o competidor é desclassificado.


Três Tambores: Uma prova que chama a atenção por ser praticada apenas por mulheres e por unir habilidade com velocidade. Três tambores são colocados na arena a uma distância de mínimo 4 metros entre eles, formando um triângulo. A amazona deve contornar os tambores sem deixa-los cair, podendo apenas toca-los, e voltar em disparada para o ponto de partida. A punição pela queda dos tambores é um acréscimo de cinco segundos por tambor no tempo final. Vence a prova a competidora que realiza-la no menor tempo. O peso da amazona, mais os equipamentos (sela, freia, manta) deve ser de no mínimo 65 kg, para garantir uma igualdade entre as competidoras. Já o cavalo precisa de agilidade e velocidade para contornar os tambores.


Team Penning: Esta prova só foi ser considerada oficial no ano de 2003. Trinta bezerros numerados de 0 a 9 são espalhados em um canto da arena, sendo assim ficam três bezerros para cada número. Três atletas participam da prova, normalmente são membros da mesma família. Montados a cavalo, os peões recebem um número e tem que buscar os bezerros numerados com o número recebido e leva-los para um curral, localizado do outro lado da arena. Ganha a prova quem fizer em menos tempo. Além da dificuldade em ter que levar o animal para o curral é bem complicado conseguir localizar um bezerro no meio de tantos.